English abstract
65 sheets with 217 drawings compose this Album Ilustrado de Zoologia Michaelense (Azorean Zoology Illustrated Album), containing representations of several species of mammals, birds, fish, insects, mollusks, crustacean and echinoderms (star fish). It is a prime example of valuable works from the Carlos Machado Museum’s Center for Documentation.
Its author was Joaquim Cândido Abranches, a known artist in the XIXth century, famous for his works with Natural History drawings. This particular album was shown at the Industry, Arts and Sciences Exhibit in 1901, when D. Carlos I, last king of Portugal, visited the island.
Português
O Álbum Ilustrado de Zoologia Michaelense foi concluído por Cândido Abranches, em 1893. É composto por 65 folhas com 217 desenhos a lápis de cor, representando várias espécies de mamíferos, aves, peixes, moluscos, crustáceos, equinodermes e insectos. Esta obra manuscrita esteve patente na Exposição das Indústrias, Artes e Ciências e Feira Franca, realizada no Relvão, em 1901, por ocasião da visita Régia aos Açores de D. Carlos I e D. Maria Amélia. A testemunhar este facto, na página de rosto do livro, constam dois selos, a dourado e verde, comemorativos da visita Real e dessa exposição que lhes foi dedicada. Merece especial destaque a introdução feita por Francisco Afonso Chaves, onde expressa o seu testemunho, com a autoridade de quem acompanhou de perto a investigação e os naturalistas da época: "[...] Os importantes estudos de Darwin sobre a dispersão das espécies animaes tinham chamado a attenção de zoologos sobre estas terras açorianas, que erguendo-se do seio do Atlântico, approximadamente meia distância entre o continente europeu e o americano, permitiam suppôr que n'ellas se encontraria uma fauna na qual fossem abundantes os typos zoológicos de transição entre as faunas das regiões palearctica e nearctica, e onde a influência das correntes do mar, e a disseminação das espécies pelo vento, pelas aves e especialmente pelos icebergs no período glaciário, se manifestaria do modo a resolver mais de um problema em discussão; e d'aqui a concorrência de naturalistas aos Açôres á procura d'essas imaginadas novas espécies, e d'a solução d'esses problemas [...]".
Para Afonso Chaves, um dos mais notáveis naturalistas açorianos da viragem do século, as preocupações trazidas pelas ideias evolucionista, decorrentes das descobertas de Charles Darwin nas ilhas Galápagos, bem como a localização geográfica do arquipélago, foram importantes razões que desencadearam o interesse pelos Açores e, como consequência, os estudos de que estes foram alvo.
Joaquim Cândido Abranches nasceu a 2 de Abril de 1830, na ilha Terceira, tendo vivido em São Miguel desde os 9 anos de idade. Ourives de profissão, foi um reconhecido artista do seu tempo, com especial habilidade para o desenho. Demonstrou especial interesse e curiosidade pelas Ciências Naturais, tendo realizado vários trabalhos ilustrados, que permanecem inéditos, guardados nos reservados do Centro de Documentação do Museu Carlos Machado. Entre as suas obras de pendor naturalista, são de destacar a Medicina Popular Michaelense, constituída por uma colecção de 70 estampas de plantas medicinais e respectivas notas sobre a sua utilização popular, terminada em 1894, o álbum Borboletas, concluído em 1898, composto por 200 desenhos de espécies de várias partes do mundo e o álbum Iconographia Botanica Michaelense, terminado em 1904, o qual contém, além de uma nota introdutória, 171 ilustrações coloridas de plantas existentes em S. Miguel.
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