Museu Carlos Machado

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Arte

A Porta no Quintal

Duarte Faria e Maia (1867-1922)
Sem data
Óleo sobre madeira
A 15 x L 21 cm
MCM5381

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English

Duarte Machado de Faria e Maia (Ponta Delgada, 1867-1922) was one of the first Azorian painters to practice the Naturalism aesthetic. He was a disciple of Blanc, Dupain and Olivier Merson while in Paris, where he arrived in 1886 and stayed for a decade. Similarly to other Portuguese naturalists, he travelled through Brittany several times, leaving a mark on his work through the abundance of landscapes and the rural and everyday life of the Britons.

The small painting “The Door in the Yard” might have been done after the painter’s return to the island in 1897, an event that signaled the start of a new chapter in his artistic career, one that Nestor de Sousa named “Michaelense cycle”. To the tranquil ambience that transpires from the composition, there is the suggestion of another space, beyond the painting, which opens up in the trail of a shadow coming from the door’s lower opening.

 

Português

Duarte Machado de Faria e Maia (Ponta Delgada, 1867 – Ponta Delgada, 1922) foi um dos primeiros pintores açorianos a praticar a estética naturalista, antecedido pelos conterrâneos José Júlio de Souza Pinto (Angra do Heroísmo, 1856 – Pont - Scorff, 1939) e Alberto de Sousa Pinto (Vila do Porto, 1861 – Paris, 1928), estes últimos, artistas bem-sucedidos e com um percurso internacional de relevo que justificou a dispersão da obra por coleções nacionais e francesas.
Duarte Faria e Maia partiu para Paris, em 1886, onde foi discípulo de Blanc, Dupain e Olivier Merson [1], aí permanecendo durante uma década. O círculo de amizades onde se movia incluía a convivência com outros artistas, nomeadamente, Adolfo Benarus (1863 - 1958) [2] e Artur de Mello. À semelhança de outros pintores naturalistas portugueses, realizou várias viagens pela Bretanha cujo eco deixou patente na temática da sua obra, onde abundam as paisagens, a vida rural e o registo costumista dos bretões. O extremo rigor e refinamento destas composições inscrevem-se no gosto pela pintura holandesa do século XVII, que decerto apreciou em museus que visitou pela Europa. A origem abastada do pintor poderá estar na origem da fraca presença do pintor nas exposições, bem como servir de explicação à ausência de uma produção pictórica prolixa como meio de sustento.


Ao desaparecer com 55 anos, precisamente, no ano da morte da pintora Aurélia de Sousa (1866 - 1922), o pintor Duarte Maia deixaria uma obra que, apesar de pouco extensa e concentrada, é grande em valor artístico e digna de menção. A primeira exposição monográfica sobre o autor teve lugar em 1977, no Museu Carlos Machado, devendo-se ao historiador de arte Nestor de Sousa a primeira biografia do pintor. [3]


O pequeno quadro “ A Porta no Quintal” que aqui se apresenta, terá sido pintado depois do regresso do pintor à ilha natal em 1897, acontecimento que marca o começo de uma nova fase da sua carreira artística, a que Nestor de Sousa designou por “ciclo micaelense”. Para o mesmo historiador de arte esta pintura apresenta paralelismos com a Cancela vermelha, pintada entre 1878 e 1879 por Silva Porto (1850 - 1893) [4]


O tema deste quadro reflete a dissipação da importância do tema, a prática ao ar livre e diretamente sobre o motivo que se coaduna com as reduzidas dimensões do suporte permitindo o transporte nas saídas de campo. O autor elege a porta do quintal para, com olhar fotográfico, colocar em manifesto as qualidades da sua prática artística evidente na perícia com que reproduz os veios da madeira da porta devoluta, no pormenor da ramagem da vegetação e ainda na subtil conjugação dos tons que conferem uma vibração luminosa quase matéria e real.
À ambiência tranquila que emana da composição, alia-se a sugestão de outro espaço, para lá do quadro, que se abre no rasto da sombra sugerida na abertura inferior da porta.

[SM]

 


1) LAPA, Pedro e SILVEIRA, Maria de Aires (org.) _ Arte Portuguesa do Século XIX: 1850-1910, Vol. I, Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado / Leya, 2010, p. 127.
2) Pintor terceirense de origem judia, é autor do pequeno quadro “Cabeça de Touro”, que data de 1886.
3) SOUSA, Nestor de - Pintura de Duarte Maia: 1867-1922, Ponta Delgada, Oficina do “Diário dos Açores. 1977.
4) SOUSA, Nestor de - “Duarte Maia – Pintor Micaelense” in Pintura de Duarte Maia, Ponta Delgada, Nova Gráfica, 1992, p. 15.

 

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