Museu Carlos Machado

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História Natural

Aranha

Mygale avicularia
Haiti
Manuel António Vasconcelos (colector)
A 2 x L 13 x C 15 cm
MCM2355.07

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English abstract

Spiders from the Mygale avicularia species are among the biggest in the world, and are often mistaken for tarantulas.

This particular spider actually lived in S. Miguel, though its presence is not natural to the island. It arrived in 1907 in a ship destined for Europe, coming from Haiti, brought in after suffering severe damage in the sea. Soon, rumours about strange creatures aboard, some gigantic and others giving electrical charges, spread out through the city, and eventually 2 Mygale avicularia were captured and taken to the Carlos Machado Museum. One of them managed to survive and, after sheding its skin twice, was already 12,5 cm long by 1909.

Português

As aranhas da espécie Mygale avicularia estão entre as maiores aranhas existentes, sendo, muitas vezes, confundidas com tarântulas. As várias mudas das aranhas da espécie Mygale avicularia, da colecção de História Natural do Museu Carlos Machado, foram preparadas por António Manuel Vasconcelos, o primeiro taxidermista do Museu, e representam a curiosidade científica e o gosto pelo invulgar, tão característico dos naturalistas do século XIX.

A sua história remonta ao início do século passado e foi-nos deixada pelo Coronel Francisco Afonso Chaves - na altura Presidente do Museu Municipal e Director da Secção de Zoologia - que conta: "a 6 de Junho de 1907 chegou a Ponta Delgada a barca italiana Grazia, que saíra do Haiti 32 dias antes. Vinha carregada com um pau de compeche, que foi removido de bordo para um armazém da doca, por ter sido o dito navio julgado incapaz de navegar. Logo depois de começar a ser feita a aludida remoção, espalhou-se a notícia de que havia a bordo da barca bichos que davam luz, choques eléctricos, tão fortes que um homem pegando num deles ficara com o braço paralisado; Havia ali aranhas gigantescas, centopeias enormes; enfim começaram a contar-se histórias inverosímeis acerca da bicharia que existia a bordo, e já no armazém para onde fora levado o pau de compeche. Foi então que o Sr. Manuel António Vasconcellos [...] resolveu criar os exemplares curiosos de animais que do mencionado armazém e barca mandaram vivos para o museu [...] Com estas ofertas pude verificar que da barca já tinham vindo para terra os seguintes animais: um insecto inofensivo para o homem (era o que dava os choques eléctricos), extremamente interessante, os cucujos (Phrophurus noctilucos), que das suas placas fosforescentes emitia luz suficiente para que, da escuridão, se pudessem ler caracteres mesmo miúdos e, infelizmente, quatro animais venenosos, duas aranhas (as Mygales avicularia e Phrunus lutanos), um escorpião (Socorpio hardwickii) e um grande miriapodo (Scolopendra brandtiana). [...] Devido aos inteligentes cuidados do Sr. Vasconcellos podemos saber que os mencionados três arachnideos e o myriapodo podem desenvolver-se na ilha, porquanto, apesar de não viverem à solta no Museu e sim estarem em pequenas caixas, só morreu o myriapodo; e esse depois de estar quase um ano enclausurado. Eis algumas indicações que comprovam esta afirmação: de duas mygalas fêmeas que se começaram a sustentar no Museu, em 20 de Junho de 1907, uma morreu em Junho último, na segunda muda (período de vida das aranhas sempre perigoso para elas); e a outra está viva, tendo já tido duas mudas. Quando esta veio para o Museu tinha cerca de 90 mm no seu maior comprimento; depois da primeira muda ficou com 104 mm, atingindo já de comprimento de 125 mm depois da segunda muda, sendo pois de esperar que muito mais cresça. As aranhas desta espécie são as maiores que se conhecem, chegando a ter perto de 2 dm de comprimento devorando não só insectos e répteis, como atacando e matando pequenas aves para com elas se sustentarem. A mygala do Museu já come, de uma assentada, uma lagartixa de 120 mm de comprimento!"

[JPC]

In - Chaves, Francisco Afonso, Introdução de algumas espécies zoológicas na Ilha de S. Miguel depois da sua descoberta, Conferência no Athenu Commercial no dia 14 de Janeiro de 1909. Typ. in Diário dos Açores, Ponta Delgada, 1911

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