Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Carro de Bois

Madeiras de castanho, giesta, pinho e olmo, ferro e vimes
A 83 x C 410 x L 100 cm
MCM1406

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Tendo-se mantido quase inalterável ao longo do tempo, o carro de bois foi um elemento essencial do mundo rural açoriano, com referências que remontam ao povoamento das ilhas, de acordo com descrições de Gaspar Frutuoso. Este meio de locomoção terrestre, cuja origem se relaciona com o carro gaulês de duas rodas e com o carro romano de rodas cheias, foi determinante na vida dos açorianos, permitindo o transporte de lenha, das "novidades" da terra e de outros bens.

Os carros de bois apresentam algumas diferenças tipológicas e variantes, quer a nível do arquipélago açoriano quer no que diz respeito ao continente português. De estrutura grosseira mas robusta, para suportar cargas pesadas e terrenos acidentados, as madeiras utilizadas na sua construção tinham de ser fortes e resistentes, recorrendo-se, nos Açores, à giesta, ao castanho, e, para peças mais específicas, ao olmo e ao pinho. Interessante é o facto, inicialmente, nestas ilhas, as rodas serem constítuidas por uma só peça, proveniente dos troncos seculares da flora indígena. Com o tempo, esses troncos foram desaparecendo, passando as rodas a ser compostas por três peças, uma central (meão) e duas laterais (cambas).

O exemplar aqui ilustrado, de construção micaelense, apresenta linhas simples e rudimentares, e é constituído basicamente por duas partes: o leito, em forma ogival, e o rodeiro, jogo do eixo e das rodas que se movimenta em simultâneo. As várias peças que o compõem tomam designações específicas, de acordo com as funções que desempenham e a posição no conjunto, conforme tem sido descrito por vários autores. Para permitir um aproveitamento maior do volume de carga, no leito existem oito furos, onde se fixam varas verticais, os fueiros, que suportam uma sebe tecida em vimes entrelaçados. A sebe, usada aquando do transporte das "novidades" da terra (e retirada nas cargas grossas, como a lenha), é redonda à frente e aberta atrás, podendo fechar-se com outra peça do mesmo material, denominada porta.

O chiar ou cantar característico do carro de bois, ao ser puxado pachorrentalmente por uma ou duas juntas, era motivo de orgulho, embora tenha chegado a ser proibido por posturas municipais, na sua passagem pela cidade e vilas. Esta sonoridade servia para marcar a cadência do andamento dos animais e, por isso, carecia de uma "afinação", conseguida através de dois orifícios talhados nas rodas em forma de olhais.

Para além de constituir um precioso meio de transporte auxiliar nos trabalhos agrícolas, o carro de bois desempenhava um papel importante por altura da realização das festas do Divino Espírito Santo, transportando, no seu interior, pão, carne, massa sovada e vinho. Nesse período festivo e de abundância, era decorado com verduras, pequenas bandeiras, flores naturais e de papel, e ainda com a tradicional chavelha (estrutura de madeira colocada na frente do carro).

Gradualmente substituído devido à mecanização, o carro de bois é hoje quase uma raridade. Actualmente, em S. Miguel, este meio de transporte, que deixou as lides agrícolas do dia-a-dia, tornou-se um elemento quase sempre presente em cortejos etnográficos que se realizam em várias localidades, de modo particular por alturas das festas do Divino Espírito Santo. [SFS]

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