A cultura do chá, Camellia cinensis, marca indelevelmente a paisagem da ilha de São Miguel constituindo-se como uma parcela integrante do património identitário da ilha.
O Museu Carlos Machado, em parceria com a Confraria do Chá Porto Formoso, pretende com esta exposição efetuar uma abordagem à história e às vivências relativas à cultura do chá na ilha. A exposição integra dois momentos principais: Cultivo e produção do chá em São Miguel; Vivências e rituais de consumo do chá na ilha.
Em março de 1878 desembarcavam em Ponta Delgada dois chineses que em São Miguel vinham ensinar a manipular a folha de chá. Contratados pela Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, traziam consigo os utensílios necessários e grande quantidade de sementes. Dava-se início à produção industrial de chá na ilha, atividade que apaixonaria algumas das figuras mais carismáticas da sociedade local da segunda metade do século XIX.
O chá, antes da introdução da cultura em São Miguel, era já uma bebida deveras apreciada entre as classes mais privilegiadas, que incluíam nos seus hábitos de sociabilidade o consumo da exótica infusão, quiçá pelas ligações portuguesas ao Oriente ou pela influência inglesa nascida do comércio da laranja.
No mundo rural o seu consumo popularizou-se após a vinda dos primeiros chineses. Gente da ilha, contratada para ajudar no labor da apanha e produção, terá levado alguns pés da planta para casa, aí reproduzindo a bebida com os saberes aprendidos.
Está patente ao público entre dias 21 de abril e 22 de julho de 2012.