A coroa e o cetro, símbolos de legitimidade e poder normalmente apanágio de monarcas e imperadores, são, a par da bandeira, as insígnias mais importantes das Festas do Divino Espírito Santo, que têm especial relevo nas ilhas dos Açores.
Centradas no domingo de Pentecostes, dia em que a igreja Católica celebra a descida do Espirito Santo sobre os Apóstolos e a Virgem Maria, as festividades prolongam-se, em muitas localidades, até ao início do verão e constituem uma das mais genuínas expressões religiosas dos açorianos, cujo ponto alto é a coroação de um devoto, com a coroa o Império do Espirito Santo.
Proveniente da Igreja do antigo Recolhimento de Santa Bárbara, de Ponta Delgada, esta é uma coroa fechada, de prata batida e lavrada, com quatro imperiais (hastes ou braços) recortadas, unidas no cimo, com uma pomba de asas abertas poisada sobre uma esfera simbolizando o globo terrestre.
A base da coroa é fechada com aro de fundo liso, ornamentado com motivos “ponta de diamante”, e encimado por uma cercadura entrançada. O corpo, vazado, é preenchido por elementos vegetalistas.
O cetro, que a acompanha, igualmente em prata, é segmentado em quatro registos troncocónicos, os dois primeiros lisos, o terceiro possui elementos decorativos aplicados e o quarto, balaustrado, termina com a representação, em vulto, da pomba do Espírito Santo.
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