Museu Carlos Machado

Voltar

Arte Sacra

Custódia

António Francisco Rosado
Séc. XVIII
Prata dourada
A 58 cm
MCMD6244

Em Detalhe »

English abstract

Monstrances (“Custódias” in portuguese) are common examples of jeweley work present in many of S. Miguel island’s religious temples. This particular example was ordered by Padre António Bicudo, who offered it to the Church of the Saint Barbara Cloisture.

Custódias, or monstrances, are exclusive to religious cerimonies, as they serve a very specific function, that of carrying the consecrated host, that represents the body of Christ. These are pieces created with a high degree of aesthetic sense and technical perfection, and present various designs and materials, some being richely covered with precious jewels, others more modest but nevertheless striking pieces of jewelery work.

Português

O espólio de ourivesaria do Museu Carlos Machado é constituído por um reduzido número de objectos, que se valoriza pela comparação com a diversidade de exemplares dispersos pelos vários templos da Ilha de S. Miguel, nos quais as custódias integram as alfaias religiosas utilizadas em dias solenes.

No final do reinado de D. João V, começam a surgir as primeiras formas do «rocaille», cujo ciclo essencial foi o reinado de D. José. No terceiro quartel do séc. XVIII, os elementos do barroco proliferam e desdobram-se em linhas sinuosas, sob formas que vêm ainda do reinado de D. João V. Folhas e concheados vibram numa agitação trepidante. As obras enchem-se de motivos florais, estilizando-se as vides, as espigas de trigo, as amoras, as pinhas, as tulipas e as rosas. É neste período que se integra a custódia pertencente à Igreja do antigo Recolhimento de Santa Bárbara, de Ponta Delgada.

Contrariamente às custódias seiscentistas, de construção uniforme ou em forma de templete, compostas muitas vezes por dois elementos, o cálice e o hostiário, o qual nos aparece cercado por radiação alternada de raios lisos e serpenteados, este exemplar da Igreja de Santa Bárbara, de prata dourada, tem o hostiário redondo, envolto num baixo-relevo com cabeças de anjo, circundado por uma coroa de radiação lisa, rematada superiormente por uma cruz, com terminação trilobada nas hastes, e com nó oval e base quadrilobada relevada com cabeças de anjos, na qual existe a inscrição «P. A. Bicudo DONO SB DEDIT».

Na 37ª verba do testamento deste Padre António Bicudo pode ler-se: «declaro que eu mandei vir de Lisboa uma custódia de prata sobre dourada a qual me importou em pouco menos de duzentos mil reis segundo a receita do Oficial que a fez, António Francisco Rosado, para a qual mandei de prata em barra cento e oitenta e cinco oitavas, e lhe pôs mais o Ourives, segundo a conta dois marcos de prata, seis onças e quatro oitavas, feita com todo o primor, a qual em minha vida ofereci ao Santíssimo Sacramento da Igreja de Santa Bárbara e a primeira vez que nela se expôs foi em Quinta-feira Maior deste ano de 1755»1.

A sumptuosidade do reinado de D. Manuel renasceu no século XVIII, quando Portugal passou a auferir dos rendimentos provenientes da produção do açúcar e da exploração das minas de ouro e diamantes do Brasil. Este enriquecimento reflectiu-se nas artes plásticas e na ourivesaria portuguesas da época.

[AMSO]

1 Hugo Moreira, O Padre António Bicudo, o Te Deum Laudamus, no Recolhimento de S. Bárbara e sua custódia, in: A Ilha, Ponta Delgada, 31 de Dezembro de 1961, pp. 1-3.

Governo dos Açores, Presidência do Governo, Direcção Regional da Cultura Direcção Regional da Cultura Museu Carlos Machado
MUSEU CARLOS MACHADO
Núcleo de Santa Bárbara
9500-105 Ponta Delgada
Tel. 296 20 29 30/31
Fax. 296 20 29 39
Email: museu.cmachado.info@azores.gov.pt
Símbolo de Acessibilidade na Web [D]

SÍTIO WEB OPTIMIZADO PARA:
800x600 e 1024x768
Internet Explorer 6.0 ou superior
Firefox 2.0 ou superior