A presente estatueta criada para satisfação pessoal evoca a mulher primordial, Eva, personagem do Antigo Testamento narrada no Livro do Génesis, que Canto da Maia reinventa a iconografia canónica, conferindo-lhe uma expressão fisionómica arcaica de carga xótica e sensual patente no corpo desnudado, no sorriso sedutor e no gesto retórico das mãos estendidas na direção do espetador, ao qual oferece o fruto do pecado, a maçã.
A pose acocorada, com um joelho elevado e o outro a tocar no chão, Canto da Maia retirou da Vénus acocorada clássica, introduzindo ligeiras alterações como o penteado de estilização geométrica e a serpente na base de Eva.
Esta obra foi exibida pela primeira vez no Salon des Indépéndents de 1923, sendo do agrado da crítica parisiense que realça a original invenção "d'une singulière beauté symbolique, hieratiquement accroupi et offrant éternellement sur ses deux mains croisées à l'eternel masculin l'éternelle pomme." Por outro lado, a multiplicidade de réplicas e versões traduzem o sucesso desta obra junto dos colecionadores.
[SM]