Fez-se Luz divide-se pelos dois núcleos do Museu: obras como Arcanjo (2010), Povoação (2011) e Lapinha (2011) partilham memórias familiares com memórias de um coletivo micaelense, refletindo experiências pessoais e tradições religiosas e populares, aludindo a um lado espiritual, daí expostas na Igreja do Colégio. Do lado de Santa Bárbara, Ilha Desconhecida (2010), Vegetação Densa (2011) e Corações ao Alto (2011), pela sua plasticidade, evidenciam o lado estético mais pop da obra da artista. Pela sua forma e pela técnica, que honra o tradicional trabalho do recorte de papel (e, também, de mapas), tão típico açoriano, a artista confere às suas obras a mesma exuberância visual da ilha que pretende elogiar.
"No caso de Catarina Branco podemos afirmar que esta trabalha a partir do lugar específico que é a cultura açoriana mas, através desta, faz referência ao que é característico de qualquer civilização – o seu lado de miscigenação, ou de hibridação. Nestas obras, podemos verificar as ligações estabelecidas com a África, o Brasil e o Oriente, fazendo jus à própria povoação e colonização açorianos, ela própria protagonizada por povos de diferentes origens. Este aspecto coloca as suas obras numa perspectiva verdadeiramente globalizante, reflectindo sobre a ideia de equivalência ou partilha cultural."
- Carla Utra Mendes, curadora
Esta exposição resulta de um projeto realizado ao abrigo das bolsas de criação artística atribuídas pela Direção Regional da Cultura, e estará patente ao público de 10 de fevereiro a 31 de março de 2012.