Museu Carlos Machado

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EVENTOS

FUSO Insular

Sexta-Feira, Dia 18 de Outubro de 2019 a Sábado, Dia 19 de Outubro de 2019

A Videoarte Portuguesa, do Histórico ao Contemporâneo
Igreja de Santo André | Museu Carlos Machado, Ponta Delgada
Curador convidado: Delfim Sardo
Sessões seguidas de conversa com o curador

Entrada Livre

 

O FUSO INSULAR é uma mostra de videoarte que traz na sua essência a excelência da programação do FUSO – Anual de Videoarte Internacional de Lisboa.

Há 11 anos o FUSO Lisboa apresenta novas perspetivas dessa prática artística, fomentando o pensamento crítico em torno dos novos media. Curadores de renome nacional e internacional são convidados para programar as sessões. A notoriedade e experiência dos curadores garantem a consistência e qualidade dos programas apresentados, com obras de artistas reconhecidos internacionalmente e de artistas ainda desconhecidos do público português.

Uma das principais vertentes do FUSO Lisboa é a promoção da nova criação nacional. Todos os anos é realizado um concurso (Open Call) aberto a artistas portugueses ou estrangeiros que vivem em Portugal, atribuindo dois prémios - o Prémio Aquisição pela Fundação EDP/MAAT e o Prémio Incentivo, uma parceria com a escola Restart, em recursos e meios técnicos para realização de novo projeto. O FUSO aposta na educação como forma de transformação da sociedade.

A programação do FUSO INSULAR nesta primeira mostra de videoarte em Ponta Delgada, a cargo do curador Delfim Sardo, apresenta obras em vídeo que vão desde os primórdios até os dias de hoje, valorizando a imagem em movimento como expressão artística transversal a todas as práticas, cruzando linguagens de filme experimental, da performance, da fotografia e do cinema.

O FUSO INSULAR conta com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Ponta Delgada e do Instituto de Cinema e Audiovisual. Em parceria com o Museu Carlos Machado.

 

FUSO INSULAR

 

O programa do Fuso em São Miguel divide-se em duas sessões, a primeira correspondente a uma visão retrospectiva e a segunda dedicada aos desenvolvimentos recentes das práticas da imagem videográfica.

À primeira dessas sessões deu-se o mote “do filme ao vídeo”, na medida em que os trabalhos apresentados são o resultado de percursos artísticos que, na década de 1970, nasceram do contexto da utilização de filme no ambiente conceptual e experimental que era o da época. Quer Fernando Calhau, quer Julião Sarmento ou Helena Almeida – como Vítor Pomar, Ângelo de Sousa, Palolo e outros, claramente conscientes do trabalho de Michael Snow, Stan Brackage ou Jonas Mekas, estavam atentos aos desenvolvimentos do cinema experimental.

A perda de narrativa, o interesse pela documentação de uma situação, a ausência de expressividade dramática e o abdicar de processos de edição que gerassem algum tipo de diegese fílmica – a criação de um espaço-tempo ilusionista e envolvente para o espectador –, são traços fundamentais destes trabalhos pioneiros do uso de imagem em movimento por artistas visuais em Portugal. Em rigor, estes filmes experimentais não são vídeos, mas isso deve-se à falta de ferramentas tecnológicas e disponibilidade financeira que só chegaria com o acesso a equipamento providenciado pela Secretaria de Estado da Cultura, já no final da década. No entanto, a sua estrutura e o foco na apresentação de uma ação (a que poderíamos chamar performance) indicam já a tipologia dos chamados “task videos”, os vídeos que documentam a execução de tarefas, que ocuparam muitos dos usos videográficos no dealbar da década seguinte.

A segunda sessão, precisamente com o reverso do tema anterior, foca-se num conjunto de artistas que, usando o vídeo, apontam para um caminho que é fílmico, ou mais precisamente, cinemático.

O horizonte destes trabalhos, muito diversos entre e pertencendo a linhagens muito diferentes, dialogam por diversas formas com o cinema, fazendo deste o seu destino. Nalguns casos – de que Filipa César é um exemplo claro – o caminho viria a centrar-se realmente em processos cinemáticos, no seu caso reflexivos até em relação a contextos específicos (coloniais ou derivados das lutas de libertação) da produção fílmica. Assim, centrando-se na última década e meia, os trabalhos apresentados de João Onofre, Tatiana Macedo (que apresenta uma versão de screening de uma instalação), Rui Calçada Bastos, Von Calhau, Nuno Cera e Filipa Cesar, não só apontam para o cinema como o seu destino, como nos convocam memórias cinematográficas. (Delfim Sardo Out. 2019)

 

PROGRAMAÇÃO

 

18 de Outubro (sexta-feira) | 21h30

Entre o filme e o vídeo

 

Artistas

Julião Sarmento

. Cópias, 1976

. Pernas, 1975

 

Fernando Calhau

. Destruição, 1975

. Walk Through, 1975

. Espaço-Tempo, 1975

 

Helena Almeida

. Ouve-me, 1979

. Estudo para Seduzir, 2002

 

19 de Outubro (sábado) | 21h30

Entre o vídeo e o filme. Desenvolvimentos recentes

 

Nuno Cera

. Dark Forces, 2004

. Untitled (Birds)

 

Rui Calçada Bastos

. Casting Thoughts, 2000

 

Filipa Cesar

. Berlin Zoo, Part II, 2001-2003

Coleção Caixa Geral de Depósitos, Lisboa

 

Von Calhau

. Avesso, 2011

 

João Onofre

. Untitled (I See a Darkness), 2007

. Tacet, 2014

 

Tatiana Macedo

. Esgotaram-se os Nomes para as Tempestades, 2018
 

As sessões serão seguidas de conversa com o curador.

 

 

Governo dos Açores, Presidência do Governo, Direcção Regional da Cultura Direcção Regional da Cultura Museu Carlos Machado
MUSEU CARLOS MACHADO
Núcleo de Santa Bárbara
9500-105 Ponta Delgada
Tel. 296 20 29 30/31
Fax. 296 20 29 39
Email: museu.cmachado.info@azores.gov.pt
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