Museu Carlos Machado

Voltar

Etnografia Regional

Incensório

José Sousa Batata Vila Franca do Campo
Barro cozido
A 30,5 x L 20 x D 11,5 cm
MCM596

Em Detalhe »

English abstract

Right from the start of the settlement of São Miguel island, Vila Franca do Campo was a privileged place for pottery production. Clay would arrive from Santa Maria island in special boats, at the time known as boats of the Vila. This early manufacture of pottery was done in basic domestic factories, most of the time to the light of a candle or oil-lamp.

This particular example, from the Ethnography collection of the Carlos Machado Museum, had a specific purpose, that of burning incense, to purify and scent the air, and was usually placed at the entrances of houses, specially during religious events, like processions to Santo Cristo dos Milagres or the local patron saint.

Português

Desde o início do povoamento da ilha de S. Miguel que Vila Franca do Campo se evidenciou como centro produtor de olaria. O barro era trazido da ilha de Santa Maria, por ser de qualidade privilegiada, em barcos de cabotagem, conhecidos por barcos da Vila,sendo localmente aplicado na área da construção e na produção de diversos utensílios de uso doméstico.

Esta produção tradicional, denominada louça da Vila, tinha lugar nas olarias ou tendas, muitas vezes à luz da candeia. De modo geral, eram espaços constituídos por uma divisão de piso térreo, com porta e uma janela, área principal de trabalho, onde se encontrava a roda de oleiro, e por um quarto traseiro, contíguo a um pequeno quintal, utilizado para guardar a matéria-prima. Após o barro ter sido pisado e sovado, retirava-se a porção necessária à modelagem, o êmpelo, que se colocava na cabeça da roda do oleiro, onde o artífice, com a ajuda de alguns utensílios bastante simples, dava forma ao objecto pretendido. A loiça, depois de seca, era guardada na falsa da tenda,cujo soalho era constituído apenas por barrotes espaçados, de modo a permitir o arejamento. Algumas peças eram ainda tingidas com almagre, para ficarem mais vermelhas.

Quando já existia loiça em quantidade suficiente para uma fornada, era transportada para os fornos, arrumada pelos enfornadores e cozida. Alguidares, talhões, jarras, potes, balsas, caçarolas, pratos, tigelas, púcaros, assadeiras, moringues, vasos, penicos, canos, entre muitos outros, são modelos característicos da olaria da Vila, que se mantiveram quase inalteráveis ao longo do tempo. Depois de prontos, eram vendidos pela ilha, transportados nos seirões dos burros ou em carroças, sendo apregoados pelos vendilhões: «Eh louça da Vila.» Das diversas peças de olaria de Vila Franca que integram o espólio do Museu Carlos Machado, seleccionámos o incensório ilustrado à frente, que apresenta duas asas verticais, bojo com orifícios constituindo o braseiro, e corpo inferior formado pelo cinzeiro, com abertura em forma de losango. Tem ainda tampa redonda, com orifícios, terminando com uma pega bicuda. Este tipo de recipiente, que tinha como função queimar incenso, perfumando e purificando o ambiente, era colocado, por toda a ilha de S. Miguel, na soleira das portas de casa, por altura das procissões, nomeadamente da procissão dos enfermos, do Santo Cristo dos Milagres ou dos santos padroeiros das freguesias.

De aspecto morfológico mais simples, os pequenos fogareiros de barro cozido eram também utilizados com o mesmo fim, bem como os tradicionais ferros de engomar a carvão, que, por essas ocasiões, adquiriam uma função diferente, queimando incenso no seu reservatório. Actualmente, esta prática ainda se mantém, em particular nas zonas mais rurais da ilha, embora com menos frequência que no passado. Quanto à olaria de Vila Franca do Campo, devido à modernização da vida, e por ser uma profissão árdua que não cativa novos aprendizes, foi-se perdendo ao longo do tempo, e hoje são muito poucos os oleiros que se mantêm a produzir uma loiça que continuará, porém, a ser uma referência na olaria regional.

[SFS]

Governo dos Açores, Presidência do Governo, Direcção Regional da Cultura Direcção Regional da Cultura Museu Carlos Machado
MUSEU CARLOS MACHADO
Núcleo de Santa Bárbara
9500-105 Ponta Delgada
Tel. 296 20 29 30/31
Fax. 296 20 29 39
Email: museu.cmachado.info@azores.gov.pt
Símbolo de Acessibilidade na Web [D]

SÍTIO WEB OPTIMIZADO PARA:
800x600 e 1024x768
Internet Explorer 6.0 ou superior
Firefox 2.0 ou superior