Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Lapinha - Presépio

Sécs. XVIII e XIX
Madeira, barro, flores secas, conchas, papel, algodão
A 110 x C 50 x P 98 cm
MCM5937

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English abstract

The very first references of nativity cribs in S. Miguel go back to the 16th century. The first “lapinhas”, though, were made by nuns in convents, richly decorated with such diverse materials as small sea-shells, artificial flowers, wax, cotton, paper, clay and even fish scales.

They grew increasingly complex in production and scale, adding new mechanics and narratives to the mix. In the 19th century, nativity cribs became a more popular art, with their production increasing domestically, many of them displayed all through the year. With advancements in clay production, crib figures were perfected, and new scenes added to the mix.

Português

Em S. Miguel, as primeiras referências a presépios remontam ao século XVI, por influência da fixação na ilha da Ordem dos Franciscanos. Porém, é no século XVII que aparecem as primeiras "lapinhas", confeccionadas pelas freiras nos conventos, decoradas com minúsculas conchas e flores artificiais de seda, penas, escamas de peixe, cera, papel e algodão, de onde sobressaem figurinhas de barro representando a Sagrada Família. O século XVIII assistiu a um maior brilho e expansão dos presépios em S. Miguel, sobretudo devido à influência de escultores continentais, como Machado de Castro, sendo possível encontrar, ainda hoje, vários exemplares de "lapinhas" dessa época, em igrejas e casas particulares. Contribuindo para a sua decoração, é de realçar a produção de flores artificiais, ou "flores de freiras", nos conventos, a qual teve grande desenvolvimento nesse século, tendo sido o antigo Convento de Santo André um dos locais onde a arte decorativa cresceu e se aperfeiçoou de forma mais notável.

Quanto às figuras de barro para os presépios, eram modeladas localmente, na sua maioria, por artesãos anónimos. É neste período de valorização e difusão dos presépios que surge, no núcleo sede do Museu Carlos Machado, a "lapinha" do coro alto do antigo Convento de Santo André. Inserida numa maquineta de madeira, com porta de vidro à frente, e embutida na base do altar do Senhor dos Passos, permite uma narrativa alargada, revelando em planos separados o Nascimento do Menino Jesus na Gruta de Belém, a Aparição do Anjo aos Pastores, a Adoração dos Reis Magos, a Apresentação do Menino no Templo, a Degolação dos Inocentes e o Baptismo de Jesus. Para além das várias figuras de barro, apresenta diversos motivos ornamentais, dos quais destacamos as pequenas conchas e as inúmeras flores secas e artificiais, elementos que contribuem para um exuberante quadro de cor e expressão. No século XIX, os presépios passaram para o domínio da arte popular e, em S. Miguel, as "lapinhas" continuam a produzir-se em espaço doméstico e a título particular, coexistindo com os característicos "Altares do Menino Jesus".

De salientar que essas "lapinhas" permaneciam em exposição todo o ano, colocadas em cima da cómoda do quarto de cama. Com a fundação de fábricas onde o barro era cozido, vidrado e pintado, na vila da Lagoa, na segunda metade do século XIX dá-se a expansão e aperfeiçoamento dos bonecos de presépio, que passam a ser produzidos com a técnica de molde. Nesta arte popular, destacamos a preocupação dos artífices em representar não só as personagens típicas do presépio, mas também cenas do quotidiano, como a matança do porco, a mulher na fonte, procissões e várias figuras, nomeadamente foliões, mulher de capote e capelo, homem de carapuça, padre, camponês, pescador, ou bandas de música, entre outros.

Actualmente, artesãos locais continuam a dedicar-se, com empenho e preciosa habilidade, à produção de "lapinhas", em maquinetas ou em redomas, contribuindo para manter viva uma das mais belas demonstrações da religiosidade do povo açoriano.

[SFS]

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