Museu Carlos Machado

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EVENTOS

LARGO TEMPO nas coleções do Museu Carlos Machado

Domingo, Dia 18 de Maio de 2014 a Domingo, Dia 4 de Janeiro de 2015

O Museu Carlos Machado assinala o dia Internacional dos Museus, em 2014, com a inauguração da exposição temporária “LARGO TEMPO nas coleções do Museu Carlos Machado”, comissariada por João Miguel Fernandes Jorge.

A exposição resulta do olhar de João Miguel Fernandes Jorge sobre as coleções do Museu, principal acervo para a sua seleção de peças, às quais juntou obras provenientes da coleção Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas dos Açores e desenhos de Francisco Arruda Furtado, pertencentes ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

“Coleções criam conexões” é a temática escolhida pelo ICOM para em 2014 marcar as comemorações do dia Internacional dos Museus. No Museu Carlos Machado, e através da exposição Largo Tempo, essas relações estabelecem-se: entre obras, entre contextos, entre culturas e, claro, entre pessoas.

Nas palavras do Comissário:

“Uma exposição não passa de um olhar, e um olhar não vai além de um sentimento sobre o mundo, e o mundo não guarda senão um respirar de vida – da vida de todos nós. Largo tempo que brilha desde longe e que se desprende das obras escolhidas como uma poalha de neblina que chega até ao presente. Nenhuma obra está a mais – nem a humilde tigela «sopeira», barro cozido vidrado e pintado, da Cerâmica da Lagoa nem o festivo «capacho» de folha de milho tingida nem a singela Azorina vidalii, «Vidália», [Herbário Flora azorica, Francisco Afonso Chaves]. Nenhuma obra é a primeira – nem uma «Senhora da Rosa», plena de serenidade, esculpida em pedra de ançã [séc. XVI] nem a nobreza hierática da «Cadeira de Chefe Tchokwe» [madeira escurecida e pele, Angola Oriental, séc. XIX] nem a verticalidade sombria da escultura «Neste frio em que me deixaste», de Rui Chafes [2008] nem o fogaréu lumínico de «Lucerna» (díptico), óleo sobre tela, de José Loureiro [2011]; tão pouco o óleo sobre tela «Salomé», de autor desconhecido, do séc. XVIII – belíssima e arrebatada Salomé – é a obra primeira. Qualquer poderá ser. Isso sempre dependerá da eleição que num dado momento faz aquele que vê.

(…) O largo tempo que medeia entre o séc. XVI e os anos 10 do XXI é uma longa extensão que a cada instante nos abandona, nos engana, nos recusa, plena de signos de aventura, de referências, de incógnitas que são pontos de futuro dentro do seu passado e para além futuro, de evocações e sensorialidades, de claro escuro que, como um foco, surge e logo se extingue sem fazer ruído. É nesta quase efemeridade (a qual percorre a etnografia, a história natural, a arte sacra, a arte contemporânea, o mobiliário, a arte africana) que se constrói a mobilidade permanente deste largo tempo. Essas múltiplas vertentes são a sua matéria primeira. A matéria segunda – e quase direi tão animada quanto a primeira – é o eu e o ser eu de cada um, que por entre este largo tempo em confiança e também em desconfiança – que é sempre fundamento seguro – se deixa conduzir pelo fio condutor que ao redor se vai tecendo. Ou que, de um modo mais provável, e bem mais desejável, o eu visitante de cada tempo presente vai convertendo a si dos tempos outros que lhe vão sendo apresentados (…)”

João Miguel Fernandes Jorge

Governo dos Açores, Presidência do Governo, Direcção Regional da Cultura Direcção Regional da Cultura Museu Carlos Machado
MUSEU CARLOS MACHADO
Núcleo de Santa Bárbara
9500-105 Ponta Delgada
Tel. 296 20 29 30/31
Fax. 296 20 29 39
Email: museu.cmachado.info@azores.gov.pt
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