Museu Carlos Machado

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Arte

O aleijadinho

Duarte Faria e Maia (1867-1922)
s.d.
Óleo sobre madeira
Não assinado / não datado
MCM5378

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English abstract

Many of Duarte Maia's paintings are notable for not being signed or dated, making assigning a year to a particular work rather difficult. This painting, "The handicapped", is ambiguous in separating the portrait from the theme, as shown by  the painter's representation of the isolated figure that dominates the neutral setting of the composition.

"The handicapped" is an example of the incursions of the painter in Realism, not shying away from representing socially charged themes, to the point it makes them center of the painting. One assumes the artist asked the boy to pose, but with his contained brush strokes, no moral assertions are made, just the gaze of the portraid, looking at him.

Português

Muitos dos quadros de Duarte Maia pontificam-se por não estarem assinados nem datados, o que constitui uma dificuldade na possível atribuição da datação da obra. Esta pintura, em que é ambígua a linha de separação entre o retrato e a temática de género, manifesta a tendência do pintor para a representação isolada da figura, que domina solitária e silente o enquadramento neutro da composição.

O aleijadinho assoma como particular demonstração da pontual incursão de Duarte Maia no Realismo, exibindo na escolha temática uma situação social confrangedora da sua época, à qual não ignorou, mostrando-se insensível ao ponto de o eleger como tema do quadro, não visando com isto comunicar uma mensagem social de alcance moral. É presumível que o pintor se tenha sensibilizado com o menino e lhe terá solicitado que posasse, afirmação que se escora na frontalidade do retrato e estatismo da pose pintada diretamente do modelo vivo.

A criança solitária e valetudinária, encostada ao fundo parietal, enverga a rude indumentária empolada pela caliça da rua. Os pés trôpegos e descalços revelam o pormenor da assimetria de um dos pezinhos, estando suportado em equilíbrio pela presença das muletas suspensas entre os braços. A pose da mão direita denota o gesto de peditório. O rosto escurecido pelo sol domina o âmago da composição, destacado dos timbres suaves do entorno. O artista enfatiza a forte penetração psicológica da figura, enfatizada no olhar frontal que perpassa o ânimo, a comoção interna do aleijadinho. A harmonia da composição resulta da contida paleta do artista, sem estridências, cingida a gradações de bege, branco e acastanhados, em curtas pinceladas que se espraiam na lisa superfície cromática, realçando o domínio da precisão formal naturalista do retrato

[SM]

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