Nos anos de 1980, Eduardo Nery centra a sua pesquisa plástica na interação da prática pictórica com a fotografia ordenada na tríade espaço-luz-cor., de que decorre, por redundância, a reelaboração de imagens fabulosas caracterizadas pela irrealização do próprio real vinculado à metamorfose do visível. A presente obra recupera as caligrafias cosmológicas de um percurso inicial patente na livre associação em cadeia de astros suspensos nas trevas do espaço cósmico, no meneio intemporal. Nery cruza livremente estes elementos com a fotografia de um espaço real: a praia vista do areal na continuidade do mar que amplifica o espaço. Prima na obra, a captação do contínuo ritmo das vagas escumantes que folgam no areal numa aparência que rutila na noite. A coexistência da praia, da noite e do cosmo fazem com que esta obra assuma valores de expressão poética e de análise metafísica, os quais asseveram ainda mais a vertente meditabunda que a preside.
[SM]