Museu Carlos Machado

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Espécies em Pedra

Pedra da muralha da Calheta Pêro de Teive

1841
Mármore
A. 0,90 x L. 0,90 m
MCM40045

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Aos micaelenses, como a todos os açorianos, não são estranhas as calamidades naturais que assolam a sua ilha: os cronistas históricos relatam o temor à terra que treme e que expele fogo e cinzas, e a derrocada de terras e os dilúvios implacáveis condicionaram por vezes grandes mudanças no tecido insular micaelense: o terramoto que dizimou Vila Franca do Campo em 1522, disso um bom exemplo. Outros desastres naturais, menos raros em outras paragens atlânticas, ocorreram também em São Miguel. A 5 de dezembro de 1839, o mar elevou-se na costa sul da ilha, galgando a terra durante quase oito horas, e arrastando para dentro do território toda a sua força aniquiladora, destruindo vários cais, para além de outros portos e fortificações, ultrapassando-os até chegar a praças públicas e casas de particulares.

Leu-se mais tarde num periódico local: "O espantoso phenómeno marítimo, novo entre nós, extraordinario e para sempre memoravel, observado, e gravemente sentido no dia 5 do corrente, não é estranho nas Ilhas Francezas Americanas, e em outros pontos do globo. Dão-lhe ahi o nome de Rás-de-marées" (1) A reconstrução necessária de paredes, muros e acessos nos diversos pontos mais afetados pelo tsunami foi levada a cabo com empenho de autoridades locais, de que serve exemplo esta pedra comemorativa da reconstrução da muralha da calheta de Pêro de Teive, cujas obras se encontravam terminadas a 1841.

Não tendo sido colocada no local, o seu destino verificou-se tão incerto como os desígnios do mar, até que, por fim, foi entregue à custódia do Museu Carlos Machado a meados do século XX, aquando da transferência das extintas Juntas Gerais de uma quantidade importante de objetos em pedra. Esta peça em calcário tem inscrições em ambas as faces. Numa, lê-se "muralha da Calheta [arrazada pelo vendaval de 5 de Dezembro de 1839] reconstruida em 23 de julho de 1841".

Na face oposta, inscreve-se a quadra (2): "Do irado mar horissona procela O antigo muro havia demolido Por arte e esforço humano outro de novo Mais forte, ó viandante, vês erguido." A calheta de Pêro de Teive perdeu relevância no plano urbanístico de Ponta Delgada durante o século XX, tendo sido eliminada com o prolongamento da avenida marginal até São Roque, dando lugar a um improvisado parque de estacionamento e, mais recentemente, a um centro comercial, por acabar.

[HAC]

1 - In: "O Monitor", períódico, Ponta Delgada, 11 de dezembro de 1839, pág. 4

2 - SUPICO, Francisco Maria - Escavações, vol. 1, Ponta Delgada: I.C.P.D., 1995, pp. 191-192.

Nota: parte da inscrição, apresentada aqui entre parêntesis, já não se lê no objeto.

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