Museu Carlos Machado

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Espécies em Pedra

Pedras basálticas de Botelho da Câmara

Séc. XIX
Basalto
16 x L. 0,90 x A. 0,90 m
MCM40000

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O morgado João d'Arruda Botelho da Câmara nasceu a 16 de maio de 1774 em Ponta Delgada. Interessado pela história e pelas letras, percorreu cartórios, bibliotecas e arquivos camarários e paroquiais, para organizar documentos sobre os Açores, nomeadamente sobre instituições vinculares e genealogias insulares. Para além disso, embora sem formação especializada em paleografia, reconheceu e transcreveu grande parte das Saudades da Terra, de Gaspar Fructuoso, tarefa a que se dedicou em pleno.

Deste seu trabalho intenso resultou notável obra manuscrita, sem dúvida algo de que se orgulhou particularmente, tendo mandado lavrar um conjunto de pedras com inscrições dos factos mais importantes da História dos Açores, e das suas genealogias. Estas foram originalmente colocadas numa ermida no Pico Arde, Ribeira Grande, e posteriormente oferecidas pelo seu filho, Francisco de Arruda Botelho, a Gonçalo de Athaíde Corte Real Bettencourt. Após estarem em mostra na Exposição de 1901, no âmbito da visita régia a São Miguel, foram oferecidas ao Museu por Luís de Athaíde Corte Real da Silveira Estrela (1).

Condicente ao seu cuidado com as fontes e os factos relatados, João d'Arruda Botelho da Câmara não deixou de argumentar as inscrições lavradas nas pedras. Com o título Memórias Genealógicas proveitosas aos moradores desta Ilha que compos João d'Arruda Botelho da Câmara desta mesma Ilha anno de 1790, este documento viria a ser estudado e anotado por Ernesto do Canto a finais de oitocentos, sendo editado já em 1995 pelo Instituto Cultural de Ponta Delgada. Numa "advertência" ao início do seu texto, o próprio morgado fez notar que "se em todos os países gravassem em mármore as suas descobertas, e histórias, e não ficassem em papel que o vento leva, e fogo devora, e a humidade apodrece, e desfaz, não se duvidaria de muitos factos da antiguidade, e por isso com grande despeza mandei lavrar dezasseis pedras de quatro palmos quadrados, aonde fiz gravar em letra redonda os sucessos mais notáveis da história e descobrimentos destas ilhas dos Açores e da Madeira"(2).

Entre os episódios referenciados nas inscrições, podemos realçar o descobrimento das ilhas de Santa Maria (primeira pedra) e São Miguel (segunda pedra), o grande sismo de quinhentos que assolou Vila Franca do Campo (quinta pedra), a subida de Ponta Delgada à categoria de cidade (nona pedra, onde também se inscreve a derrota de D. António Prior do Crato face à hoste filipina) e a expulsão dos jesuítas, em 1766 (décima quinta pedra). À falta do mármore, ficaram as dezasseis pedras lavradas na rocha muito mais própria das ilhas, o basalto. Estão atualmente no claustro do Convento de Santo André, núcleo sede do Museu Carlos Machado.

[HAC]

1 - ATHAYDE, Luis Bernardo Leite de - Catalogo da secção de arte do Museu Municipal de Ponta Delgada Carlos Machado, Ponta Delgada, Typ. Ruy Moraes, 1921, pág. 11

2 - CÂMARA, Morgado João d'Arruda Botelho da - Instituições vinculares e notas genealógicas, Ponta Delgada: I.C.P.D., 1995, pág. 2

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