José Sobral de Almada Negreiros, além de autor de peças teatrais e de coreografias para bailados, notabilizou-se no campo das letras e das artes visuais.
Entre os vários textos doutrinários e manifestos futuristas que redigiu, sublinhe-se o Manifesto Anti-Dantas, de 1915, e, ulteriormente, o Ultimatum, de 1917. Durante a curta existência da revista Orpheu (1915), de que foi membro, pugnou pela aceitação das correntes estéticas internacionais de matriz parisiense, como Cubismo, Futurismo, Expressionismo e Primitivismo.
Embora não assinado nem datado, o Retrato de Manuel de Lima é inquestionavelmente da autoria de Almada Negreiros, cujas características são muito próximas das obras concebidas para os vitrais da igreja de Nossa Senhora de Fátima, concluída em 1938 e, mormente, dos painéis destinados às gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbitos, cuja feitura decorreu entre 1944 e 1948.
Assim, a sua datação situar-se-á, provavelmente, entre meados da década de 1940 e 1960. Primam os contornos a traços angulosos e estilizados de derivação do Cubismo e estéticas pós-picassianas do pós-guerra, que Almada seguiu durante as décadas de 1950 e 1960.
O autor perfila a cabeça do escritor pelo processo gráfico de decantação linear de teor esquemático e geométrico, de índole caricatural do escritor, acentuada no hiperbólico alongamento do nariz aquilino e na inserção do cigarro quase impercetível, a que Almada não se coibiu de apontar.
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