Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Sacho

Ferro, madeira de olmo
C 79 x L 27 cm
MCM1410

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English abstract

A fundamental instrument in the everyday life of the azorean countrymen, the azorean hoe (or weeding-hoe) has become different from those in the continental Portugal. While the blade was produced by blacksmiths, the handle was made by the workers themselves.

Some of them decorate their hoes’ handles with minor personal marks, like with coins, for fortune, and a star of David, traditionally a protecting symbol against bad omens.

Português

Utensílio agrícola essencial na vida do camponês micaelense, o sacho é um instrumento utilizado para muitas funções, designadamente para cavar e sachar a terra, pelo que pode ter formatos e tamanhos diversos. Nos Açores, particularmente na ilha de S. Miguel, o sacho, como o apresentado, tomou uma forma e características que o distinguem das enxadas continentais. As madeiras tradicionalmente utilizadas nesta alfaia, por serem leves, macias e agradáveis ao tacto, eram o álamo, o vinhático, e, por vezes, o cedro. Como variantes de menores dimensões, usavam-se em S. Miguel o sachinho, a sachola e sacho pequeno, para os trabalhos agrícolas de horticultura e jardinagem, na plantação da batata-doce e no cultivo da beterraba e da chicória.

O cabo do sacho era feito pelo próprio camponês, enquanto que a lâmina era produzida por ferreiros. A Ribeira Grande foi o centro produtor tradicional de lâminas para sachos e também para podões e foices.

Elemento integrante da vida do camponês micaelense, o sacho era transportado ao ombro, polido pelo uso, sinónimo de trabalho e sustento. Alguns camponeses enriqueciam o cabo dos seus sachos com elementos decorativos modestos, nomeadamente com uma moeda de dez réis, pregada para dar fortuna, ou com uma estrela de David, popularmente designada por signo-samão, desenhada à navalha ou marcada com pequenos pregos amarelos, sinal de magia popular de protecção contra os malefícios do mau olhado.

Esta estrela de seis pontas, formada por dois triângulos equiláteros, pode também encontrar-se, em S. Miguel, noutras alfaias agrícolas, em cangas de bois, em mobiliário, na arquitectura, em colchas de fabrico caseiro, ou em amuletos colocados no pescoço das crianças.

No início do século XX, o preço de um sacho era de 1 escudo; mais tarde passou para vinte e depois para trinta escudos; na década de 70 rondava os setenta escudos e, actualmente, os 80 euros. O sacho é uma alfaia agrícola ainda utilizada nos nossos dias, especialmente nas zonas mais rurais da ilha de S. Miguel.

[SFS]

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