Museu Carlos Machado

Voltar

Arte

Sem título

António Dacosta (1914-1990)
1984
Acrílico sobre tela
A 130 x L 97 cm
MCM5055

Em Detalhe »

António Dacosta nasceu nos Açores, na ilha Terceira, em 1914. Em Lisboa, entre 1935 e 1941, frequentou a Escola de Belas Artes. Conheceu os pintores António Pedro e Pamela Boaden, com quem expôs nas instalações da Casa Pepe, em 1940.

Esta exposição, de acentuadas propostas surrealistas, provocou algumas controvérsias no meio artístico nacional, numa época em que se inaugurava a grande Exposição do Mundo Português. A partir de 1940, e até 1945, participou com regularidade nas exposições do Secretariado de Propaganda Nacional, que, em 1942, conferiu o Prémio Amadeu de Sousa Cardoso à sua pintura de características culturais açorianas, intitulada A Festa (1942), com referência ao culto do sagrado e do profano

Em 1947 instalou-se em Paris, onde passou a viver definitivamente. No livro publicado em 1995 sobre a sua obra, intitulado António Dacosta, transcreve-se uma entrevista ao artista, onde este refere: "Quando cheguei a Paris tive a sensação do limite de uma coisa que se fazia à minha volta e a que se podia chamar surrealismo. De facto deixei a pintura porque senti um esgotamento. O surrealismo caía e nada o substituía para além de um lirismo que não me interessava. isso de deixar de pintar é exagerado! Não se deixa de fazer as coisas que se trazem em sí. De vez em quando pintava"1.

A pintura dos anos 80 de António Dacosta altera-se no sentido formal, sendo reveladora de uma individualização radical dentro das artes. Neste contexto, sobressai o carácter simbólico das formas e da cor, não sendo o conteúdo da obra imediato.
A pintura Sem título, de 1984, pode integrar-se nesta nova filosofia, afastada do Surrealismo, através da qual o artista reclama a atenção para o sentido trágico da humanidade, em contraponto com a irracionalidade do primata: do lado direito está a representação de um homem atado a um tronco, observado por um primata que toca tambor, enquanto, no fundo, se efectua a dança giratória, como ciclo inconsciente de vida. Em 1987, António Dacosta foi membro do júri da 2ª Bienal de Arte dos Açores e Atlântico, tendo sido nomeado cidadão honorário da cidade de Angra do Heroísmo. Depois da sua morte, em Dezembro de 1990, obras suas foram apresentadas em várias exposições, como a retrospectiva Homenagem a António Dacosta, em 1995, promovida pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, em Angra do Heroísmo, na Horta e no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

[MCTO]

1 António Tabucchi e outros - António Dacosta, [Coord. Miriam Dacosta], Quetzal Ed. / Galeria 111, Lisboa, Novembro 1995.

Governo dos Açores, Presidência do Governo, Direcção Regional da Cultura Direcção Regional da Cultura Museu Carlos Machado
MUSEU CARLOS MACHADO
Núcleo de Santa Bárbara
9500-105 Ponta Delgada
Tel. 296 20 29 30/31
Fax. 296 20 29 39
Email: museu.cmachado.info@azores.gov.pt
Símbolo de Acessibilidade na Web [D]

SÍTIO WEB OPTIMIZADO PARA:
800x600 e 1024x768
Internet Explorer 6.0 ou superior
Firefox 2.0 ou superior