Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Talhão de Barro

Barro cozido
A 74 x C 25 x L 60 cm
MCM981

Em Detalhe »

O barro foi, desde os tempos mais remotos do povoamento açoriano, uma importante matéria-prima para a produção de diversos utensílios ligados à actividade doméstica e à construção.

Algumas referências indicam a existência de oleiros nos Açores já no século XVI. Porém, o número destes artífices aumentou consideravelmente nos séculos XVII e XVIII, época em que o movimento industrial cerâmico teve grande incremento no nosso país. Oriundo principalmente da Ilha de Santa Maria, pela sua qualidade, o barro era transportado por via marítima para os diferentes locais de fabrico no arquipélago. Em S. Miguel, desenvolveram-se vários centros com olarias, sendo ainda visível esta actividade, bastante artesanal, no Bandejo, situado na Ribeira Seca da cidade da Ribeira Grande, e em Vila Franca do Campo. Das diversas peças produzidas, o talhão de barro é um elemento marcante. Este objecto, que tinha como função essencial ser o reservatório de água da casa, era muito apreciado e utilizado nas lides domésticas, servindo de apoio na vida de todos os dias. Posicionado na cozinha, normalmente perto do forno e do poial, dele se retirava a água, sempre muito fresca, para beber, para fazer as sopas, o chá, ou confeccionar outros alimentos. Dele também se tirava a água para, depois de um duro dia de trabalho, despejar nas selhas ou nos alguidares e realizar a higiene pessoal de adultos e crianças. Para impedir que a água fosse contaminada com impurezas, os talhões eram tapados com simples tampas de madeira, com uma pega ao centro, ou com alguidares, onde normalmente se encontrava também um pequeno pote ou púcaro, que servia para retirar pequenas quantidades de água do interior. Existiam talhões de vários tamanhos.

Os mais pequenos, e mais fáceis de transportar, eram abastecidos directamente no fontanário público, os maiores continham água trazida em talhas (recipientes de barro mais pequenos). Inesquecível, para muitos, é a melodia do cair da água no talhão que, quer fosse da fonte ou da talha, era sempre "refrescante". Há ainda referências à utilização do talhão de Santa Maria, de dimensões consideráveis, para guardar e conservar cereais. O talhão ilustrado nesta ficha pertenceu ao antigo Convento de Santo André e serviu como reservatório de água. É um exemplar pequeno, destacando-se pela decoração que apresenta em alto-relevo, na superfície exterior, constituída por motivos vegetalistas.

Elemento integrante do património tradicional açoriano, o talhão pode actualmente ser encontrado em muitos lares açorianos, mantendo a antiga funcionalidade de reservatório de água, no ambiente das cozinhas rurais ainda existentes, ou adquirindo novas utilizações, nomeadamente a nível decorativo.

[SFS]

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