Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Tapete de Folha de Milho

Capacho de folha de milho (designação local)
Folha de milho tingida
C 83 x L 32 x Esp. 3 cm
MCM1200

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English abstract

Since the earliest days, azoreans have been producing several textile artifacts using available materials from the environment. Of these raw materials, wheat straw and corn leaf are some of the most common.

Corn leafs go through several stages during the production of a rug: after selection, they are dried and shredded, then tinted with selected colors (yellow, pink and green, usually). After being interlaced, they are finally sewed together. Today, they are good examples of traditional Azorean craftmanship.

Português

Desde muito cedo, o povo dos Açores começou a produzir diversos artefactos em fibras têxteis, com funções utilitárias e também decorativas.

Das matérias-primas utilizadas, obtidas com grande facilidade no meio natural, destacamos a folha de milho, a espadana, o junco e a palha de trigo, aplicadas na produção de capachos e esteiras, com recurso a técnicas tradicionais como o entrançado, o entrecruzado e a espiral cosida. Os típicos capachos, como o ilustrado à frente, feitos de folha de milho, implicavam um modo de produção constituído por várias fases, nomeadamente a selecção das folhas, a respectiva secagem e desfiação, a aplicação de cor através de processos de tinturaria caseira, o entrançamento, e, por fim, o coser das tiras entrelaçadas com fio de espadana. As cores utilizadas para tingir as folhas eram garridas, predominando o amarelo, o rosa e o verde. Relativamente à folha de espadana, depois de colhida, era batida com um maço, de modo a ficar mais flexível, e era entrançada ou cosida em espiral, na sua cor natural, dando forma a peças com várias configurações e tamanhos. Quanto à palha e ao junco, a sua transformação em capachos e esteiras era semelhante.

Eram limpos e secos, para depois serem entrelaçados e cosidos, também na sua cor natural. Embora esta actividade nunca tenha conhecido grande desenvolvimento, a utilização de capachos e esteiras no interior doméstico rural ou em trabalhos agrícolas foi considerável. Num hábito com reminiscências mouriscas, que se manteve durante muito tempo no arquipélago, os capachos e as esteiras eram utilizados para as pessoas se sentarem no chão, no interior das casas (onde tomavam as refeições e passavam o serão) e junto à porta da rua e do quintal (onde ficavam algum tempo a conversar e onde realizavam algumas tarefas domésticas como, no caso das mulheres, costurar e bordar). No que diz respeito aos trabalhos agrícolas, as esteiras eram utilizadas para colocar o milho a secar ao sol, servindo também de assento quando se realizavam tarefas como escolher feijões, debulhar milho ou tirar a vagem das favas e das ervilhas. Estas peças eram ainda utilizadas para forrar o leito do carro de bois ou a caixa das carroças, quando iam mulheres e crianças no seu interior.

Paralelamente à produção de capachos e esteiras em fibras vegetais, é de referir que também se criavam, no arquipélago açoriano, de modo artesanal e com fins mais decorativos, muitas vezes reutilizando e reciclando materiais, os característicos tapetes feitos de retalhos ou de penas, com várias cores e motivos. Actualmente, capachos e esteiras de fibras vegetais, bem como tapetes de retalhos ou de penas, integram o artesanato regional, sendo os artesãos de hoje repositórios vivos destas artes tradicionais, transmitidas de geração em geração

[SFS]

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