Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Terço

Sementes de milheiro, zinco, madeira
C 49 cm
MCM2026

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English abstract

Azoreans have always been deeply religious people. The strong attachment to christianity finds its origins in the very first settlements in the islands, by the very Late Middle Ages. All over the archipelago, churches, chapels and convents are recognized proof of devotion.

The rosary (as a string of breads) is another important religious instrument that helps the azoreans in their prayers and everyday religious activities. During Easter, the hundreds of men that gather and travel all over S. Miguel island always carry with them two strings of breads, one around the neck and another in their hands, so that prayer can be assisted during their extensive journey.

Português

A religiosidade que caracteriza o povo açoriano remonta ao tempo do povoamento e deve-se a inúmeras razões, designadamente ao facto de as ilhas dos Açores terem sido habitadas nos finais da Idade Média, período da historia em que a cultura europeia medieval estava centrada em Deus. Construíam-se catedrais, igrejas e mosteiros, mais do que palácios; lutava-se contra os infiéis; faziam-se romarias e peregrinações a lugares santos e a santuários; a literatura versava temas religiosos como a vida de Jesus Cristo, as vidas de santos, a arte de bem viver e de "bem morrer"; a pintura e a escultura representavam Jesus Cristo, a Virgem Maria e os Santos.

O teatro medieval, que ressurgiu na igreja no século X, apresentava episódios bíblicos e da vida de Cristo ou a luta das almas entre o Bem e o Mal. Assim, na sua diversidade de origens, os primeiros povoadores trouxeram consigo a cultura, a religião, maioritariamente cristã, as tradições e os costumes das suas terras e prolongaram, neste arquipélago, as suas vivências religiosas. A realidade da vida nas ilhas, o isolamento, a insularidade, a geografia, a actividade vulcânica, os sismos, foram também, ao longo do tempo, deixando nos colonos diversas marcas que influenciaram as características de cada grupo de povoadores e tiveram consequências nas vivências e na atitude religiosa dos açorianos.

Deste modo, ao longo da história deste arquipélago e ainda hoje, em todas as ilhas dos Açores, igrejas, ermidas, capelas e conventos marcam presença significativa e o povo açoriano manifesta a sua religiosidade de diversas formas, nomeadamente no culto ao Divino Espírito Santo, à Paixão e Morte de Cristo, ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, a Nossa Senhora, na devoção às almas, na realização de diversas romarias, como as quaresmais. Neste espírito de religiosidade e devoção popular e pessoal, orar, rezando o terço, assumiu uma dimensão especial. Nos lares açorianos o terço é, muitas vezes, pendurado na cabeceira da cama e está sempre à mão para as orações individuais ou em família, de manhã, à noite, em momentos de aflição ou de agradecimento. É com o terço que se rezam as Domingas do Espírito Santo, se fazem as novenas e as pessoas com promessas oram nas procissões.

É ainda este objecto um dos cinco símbolos das romarias quaresmais de S. Miguel, indispensável para o controlo das orações de cada homem e do rancho, simbolizando também a unidade dos irmãos romeiros entre si e a sua ligação com a comunidad, através da oração. Os terços usados pelo povo eram tradicionalmente feitos de sementes, como o aqui ilustrado, cujas pontas são de sementes de milheiro polidas. Também era frequente a utilização de missangas. Esta é uma peça simples, mas carregada de simbolismo, que continua a marcar presença na vivência religiosa do povo dos Açores.

[SFS]

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