Museu Carlos Machado

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Etnografia Regional

Tigela

Sopeira (designação local)
Lagoa Barro cozido, vidrado e pintado
A 17 x D 35,5 cm
MCM762

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English abstract

Until the late 19th century, pottery making in S. Miguel island was mainly aimed at domestic and home activities, its production being simple and local. From then on, though, more complex forms of pottery production came into play, with the emergence of the very important Louça da Lagoa (Lagoa’s Pottery) industry, where clay was not just cooked and lighty decorated, but new techniques, such as glassing and coloring, replaced the previous models.

This pottery bowl, from Lagoa, is one of the soup bowls in Carlos Machado’s Museu Ethnology Collection, and an accurate example of the earlier traditional pottery work from the Azores.

Português

A arte de trabalhar o barro no arquipélago dos Açores iniciou-se logo após o povoamento, à medida que surgiam e se desenvolviam os contextos sociais e habitacionais. Em S. Miguel, até meados do século XIX, o barro utilizado na produção de utensílios de uso doméstico era apenas cozido e, por vezes, tingido com almagre. A partir desse período, emerge na ilha o fabrico de louça vidrada e pintada, que, na Vila da Lagoa, se começou a desenvolver em 1862.

Os locais de fabrico da cerâmica da Lagoa, também denominados engenhos, integravam pátios, telheiros e lojas, que se dividiam em várias áreas de produção. A matéria-prima era proveniente da Ilha de Santa Maria, do continente e da Ribeira Grande, sendo utilizada de acordo com a qualidade que se pretendia para as loiças. Num processo artesanal que hoje ainda se mantém, o barro era amolecido, coado e seco ao ar. Depois de enxuto e de aperfeiçoada a sua consistência, ia para a loja das rodas, onde, passando por várias fases, nomeadamente lavra, secagem e fretamento, se transformava gradualmente na peça pretendida. Após a loiça ser cozida nos fornos, seguiam-se as fases de vidragem e pintura, finalizando-se a sua produção com a cozedura final.

A loiça, assente sobre discos em rotação (os tornilhos), era pintada à mão, perfilada, mesclada ou estampilhada, usando-se anilinas preparadas com água. No passado, faziam-se na Lagoa dois tipos de loiça vidrada, uma em geral escura, em tom castanho, sem pintura mas com relevos, e outra creme, decorada essencialmente em tons de azul, verde, amarelo e vermelho. Actualmente, a loiça que aí se faz apresenta um vidrado branco, predominando, na decoração, a cor azul. Eram muito diversas as peças de cerâmica produzidas na Lagoa, e, das que integram o espólio do Museu Carlos Machado, seleccionámos a tigela ilustrada nesta página, a qual apresenta fundo vidrado creme e decoração em toda a superfície exterior, constituída por dois filetes castanhos e por três flores cor-de-rosa e folhas verdes estampilhadas. Pela sua dimensão, esta tigela, também designada por sopeira, tinha uma função semelhante à das terrinas, servindo um prato, de dimensão adequada, como tampa.

Aí repousavam, amoleciam e se abafavam as sopas, os fervedouros, os caldos azedos e também os guisados. Este tipo de recepiente, utilizado essencialmente na preparação e consumo de alimentos, assumia várias dimensões, consoante os fins a que se destinava. Deste modo, encontramos, por exemplo, as tigelas para tender o pão de trigo ou o para o chá, as sopas de leite, ou as tradicionais sopas aferventadas, feitas de couves, batatas e complementadas com os netos de pão de milho. De salientar que, para tender o pão de milho, só se usavam tigelas de barro cozidas, não vidrado. Actualmente, apesar da evolução das novas tecnologias, a louça vidrada da Lagoa continua a ser uma referência na cerâmica regional. As peças produzidas têm hoje uma função menos doméstica e utilitária, desempenhando um papel mais decorativo e artístico.

[SFS]

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