O Circuito História Natural apresenta uma coleção de base naturalista que foi o alicerce para a fundação do Museu. O circuito distribuído por oito salas expõe a diversidade, o exótico e o saber, onde são abordadas diferentes áreas do conhecimento científico, com destaque para zoologia, geologia, mineralogia, botânica.
O circuito de História Natural, que ocupa sobretudo o primeiro e segundo piso do corpo oeste do edifício do Núcleo de Santo André, é composto por oito salas.
A Sala do Mar é o espaço dedicado ao ambiente marinho, onde encontramos representantes de vertebrados marinhos, mamíferos, peixes e répteis. Nesta sala encontram-se algumas das maiores criaturas marinhas que povoam os mares dos Açores, onde o principal destaque recai sobre o cachalote, um dos mais emblemáticos cetáceos que cruzam as nossas águas.
Na Sala das Aves encontram-se expostas as primeiras coleções do Museu, resultado da colaboração de naturalistas e de instituições como os Museus de Coimbra e de Lisboa. Faz parte desta coleção um conjunto de exemplares capturados nos Açores e que constitui uma amostra representativa da avifauna que pode ser observada no arquipélago, desde aves residentes e aves migradoras nidificantes, frequentes, ocasionais e esporádicas. Esta sala reúne, igualmente, aves raras, como o priolo; extintas, como o periquito-da-carolina e muitas aves exóticas e de plumagens multicolores que fascinam e deslumbram os visitantes.
A Sala dos Peixes reúne vários espécimes recolhidos nas águas insulares ao longo das campanhas oceanográficas realizadas entre os finais do séc. XIX e primeira metade do séc. XX. Nesta coleção encontramos ainda, peixes cartilagíneos e ósseos, onde se destaca um gigante e tranquilo peixe-lua.
Segue-se a Sala dos Mamíferos, onde se destacam os espécimes introduzidos pelo Homem depois do início do povoamento, no séc. XV e outros introduzidos acidentalmente. Este espaço reúne peculiaridades e monstruosidades bovinas que desde sempre fascinaram os visitantes. A coleção de mamíferos do Museu Carlos Machado inclui, também, muitas espécies exóticas consideradas, à semelhança de outros museus de História Natural, as principais atrações, recordado a prática que vem dos clássicos gabinetes de curiosidades.
No segundo piso do antigo convento de Santo André, encontra-se a Sala do Invertebrados, onde estão expostos um conjunto animais com caraterísticas muito diferentes que, partilham o facto de não possuírem ossos ou um esqueleto ósseo, onde se incluem borboletas, escaravelhos e moluscos. Neste espaço destacam-se espécimes marinhos provenientes dos mares açorianos como os cavacos, as lagostas e os caranguejos de profundidade, e ainda, espécimes terrestres onde se destacam as borboletas e os escaravelhos, na sua maioria espécies exóticas de regiões temperadas a tropicais.
Segue-se a Sala dos Fósseis, Rochas e Minerais onde se avista a história da formação da Terra com cerca de 4600 Ma. Desta longa história geológica resultaram evidências materializadas em rochas e minerais que nesta sala ganham lugar de destaque. Os fósseis ocupam, igualmente, especial relevância, em particular os fósseis encontrados em ilhas vulcânicas: os fósseis marinhos quando associados à deposição de material calcário, como os da ilha de Santa Maria, e os fósseis terrestres, resultantes da preservação de material biológico (troncos ou folhas de árvore) em cinzas vulcânicas, existentes em várias ilhas.
A última sala deste circuito é a Sala das Plantas e Répteis, onde se destaca uma coleção particular açoriana, o Herbário do naturalista terceirense, José Augusto Nogueira Sampaio, que foi o interlocutor local dos naturalistas estrangeiros que visitaram os Açores, nomeadamente do geólogo G. Hartung e do botânico W. Trelease.
Duarte Manuel Espírito Santo Melo
João Paulo Constância
Direção Regional da Cultura
João Paulo Constância
O circuito apresenta as características arquitetónicas dos edifícios conventuais de outros tempos, a diversidade de espaços, as suas dinâmicas e funções, bem como, explora o modo de vida das Clarissas pertencentes ao ramo feminino da Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis.
O circuito de Arte Sacra centra-se na antiga Igreja do Colégio, onde a exuberante fachada, a resplandecência do retábulo do altar-mor, bem como, a coleção de azulejos setecentistas assumem-se como um todo, num monumento ímpar de criação barroca. A este integra-se uma galeria com uma coleção diversificada onde se destacam peças quinhentistas, bem como, um valioso espólio de exemplares de temática religiosa.
No ano em que se assinalam os 50 anos da Autonomia dos Açores, a exposição Autonomia dos Açores, patente no mais recente núcleo do Museu Carlos Machado, no Palácio da Conceição, convida-o a conhecer um dos processos históricos mais marcantes da autonomia regional.